segunda-feira, 2 de julho de 2007

A Ciência do Amor

As mãos começam a suar, o coração bate mais rápido, é difícil até controlar as pernas. O amor mexe com homens e mulheres. Mas, diante da rejeição e da perda, pode provocar depressão, ódio ou levar o apaixonado a cometer um crime. Esse estranho sentimento tem uma explicação neurológica, e cientistas norte-americanos dizem ter descoberto o segredo. Eles mapearam o cérebro de 17 estudantes envolvidos nas primeiras semanas ou meses de uma nova paixão. Por meio de ressonância, conseguiram detectar hiperactividade em algumas regiões do órgão. Enfim, puderam explicar cientificamente o amor.

A antropóloga Helen E. Fisher, co-autora da pesquisa e membro da Rutgers University (New Jersey), comentou que pela primeira vez, foi possível estudar os estágios iniciais do amor romântico - dissociado do desejo sexual. Descobrimos que o amor romântico não se origina no centro das emoções no cérebro, disse. 'Ele surge a partir de áreas associadas à recompensa, à vontade de ganhar um prémio.

Segundo a cientista, essas regiões - conhecidas por área tegmental ventral (VTA, pela sigla em inglês) e núcleo caudato - são activadas pelo uso de drogas, pelo impulso de ganhar dinheiro e pelo simples sabor do chocolate, por exemplo. A VTA e o núcleo caudato situam-se na região central do cérebro e estão mais próximos das áreas relacionadas à fome, sede e ao vício em drogas, e não daquelas responsáveis por registrar excitação e afecto.

Os pesquisadores analisaram mais de 2,5 mil imagens de cérebros dos voluntários. Ao serem submetidos ao equipamento de ressonância magnética, os estudantes puderam apreciar a fotografia de seu novo amor. Os cientistas mapearam o cérebro dos mesmos alunos, quando examinavam fotos de parentes.

Os estudiosos encontraram no cérebro dos recém-apaixonados intensa actividade na área tegmental ventral e no núcleo caudato, ricos em dopamina e em opiáceos. Essas reacções actuam no inconsciente da pessoa e podem ser activadas a qualquer momento, revela Lucy Brown, do Albert Einstein College of Medicine (New York). Aplicámos ainda um questionário aos voluntários, para detectar o índice de paixão.

Segundo Helen E. Fisher, a activação das áreas do cérebro ligadas à recompensa ajuda a explicar por que o amor pode viciar tanto. 'O amor dói. Isso também ajuda a entender porque algumas pessoas se suicidam, matam ou entram em depressão profunda diante de uma rejeição, afirma. A cientista explicou que a motivação produzida pela actividade cerebral é bastante primitiva e chega a ser mais intensa que as emoções. 'O amor é mais forte do que as drogas', admite Fisher.

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